As cotações da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) são o termômetro mais importante para o agronegócio brasileiro. No primeiro semestre de 2026, os preços oscilaram em uma faixa relativamente estreita, entre US$ 9,50 e US$ 10,80 por bushel, mas o segundo semestre promete maior volatilidade, especialmente com a virada do ciclo climático El Niño para condições mais neutras nos Estados Unidos.
Fundamentos que movem o mercado
O mercado de soja em Chicago é influenciado por uma combinação de fatores que os analistas monitoram semanalmente: os relatórios de exportação do USDA, as condições de cultivo no Meio-Oeste americano, o ritmo de compras da China e a paridade de exportação entre Brasil e Argentina. Em 2026, a China segue como principal destino, absorvendo cerca de 60% das exportações globais da oleaginosa.
Um elemento novo no radar dos traders é o crescimento da demanda chinesa por farelo de soja para ração animal, impulsionado pela rápida recuperação do plantel suíno após os surtos de febre suína africana. Essa demanda estrutural por proteína animal deve sustentar as compras chinesas acima da média histórica ao longo de todo o segundo semestre.
A janela climática nos EUA entre julho e agosto é crítica. Qualquer desvio significativo de temperatura ou precipitação nas regiões produtoras de Iowa, Illinois e Indiana pode gerar movimentos bruscos nas cotações — para cima em caso de seca, para baixo se as condições forem favoráveis. Os traders brasileiros precisam estar atentos a esses ciclos.
Cada variação de US$ 0,50 por bushel na CBOT representa, dependendo do câmbio, impacto de R$ 4 a R$ 5 por saca para o produtor brasileiro — o que torna o acompanhamento diário das cotações uma obrigação, não uma opção.
Estratégias para o produtor e o investidor
Para o segundo semestre de 2026, os analistas do mercado de grãos dividem-se entre dois cenários. O cenário otimista projeta soja entre US$ 10,50 e US$ 11,20 por bushel, sustentado pela demanda asiática e possível redução de área plantada nos EUA. O cenário pessimista aponta para US$ 9,00 a US$ 9,80, com oferta global fartura e enfraquecimento do yuan.
Independentemente do cenário, especialistas recomendam que produtores que ainda têm soja em estoque realizem vendas escalonadas, aproveitando eventuais picos de preço sem apostar tudo em uma única cotação. O uso de instrumentos como NDF (Non-Deliverable Forward) e opções cambiais pode proteger a receita em reais mesmo em cenários de queda de preço em dólar.
Para quem investe no mercado financeiro, os contratos futuros de soja negociados na B3 e os ETFs de commodities agrícolas disponíveis nos EUA oferecem exposição ao ativo sem a necessidade de armazenar grãos físicos. A relação risco-retorno merece avaliação cuidadosa dentro de uma carteira diversificada.