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Milho e proteína animal: a conexão que move o agronegócio brasileiro

A relação entre o preço do milho e a produção de proteína animal é o elo mais importante do agronegócio. Entenda como essa dinâmica define custos e margens.

Por Redação Estrato
Agro··3 min de leitura
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Poucos elos da cadeia do agronegócio são tão interdependentes quanto o milho e a produção de proteína animal. No Brasil, cerca de 65% do milho produzido destina-se à alimentação de aves, suínos e bovinos confinados, tornando o preço do cereal o principal determinante do custo de produção de frango, suíno e carne bovina. Em 2026, essa conexão está no centro das discussões do setor.

Como o milho define o custo da proteína animal

Para produzir 1 kg de frango vivo, são necessários em média 1,8 kg de ração, da qual o milho representa cerca de 60% da formulação. Para suínos, a conversão é de aproximadamente 2,8 kg de ração por quilo de ganho de peso. Isso significa que variações de 10% no preço do milho se traduzem diretamente em variações de 5% a 7% no custo total de produção de proteína animal — um impacto significativo nas margens dos produtores integrados.

Em 2026, o preço do milho nas principais praças do Centro-Oeste oscilou entre R$ 68 e R$ 78 por saca de 60 kg, reflexo de uma safra total (verão + safrinha) estimada em 130 a 135 milhões de toneladas pelo CONAB. Esse volume é suficiente para atender a demanda interna e ainda gerar exportações, mas a pressão logística — especialmente nos portos de Santos e Paranaguá — pode criar desequilíbrios regionais de preço.

Grandes integradoras de aves e suínos, como BRF, JBS e Marfrig, gerenciam essa exposição com contratos de longo prazo e estratégias de hedge na B3, onde os contratos futuros de milho têm liquidez crescente. O produtor integrado que não faz gestão de risco do insumo fica exposto a uma variável que pode destruir toda a margem do ciclo de produção.

A relação milho-frango é tão crítica que integradores de ponta já utilizam modelos de inteligência artificial para otimizar o mix de ração em tempo real, substituindo parcialmente o milho por outros ingredientes energéticos quando as cotações disparam.

Perspectivas para o segundo semestre de 2026

O segundo semestre de 2026 tende a trazer alívio nos preços do milho, com a chegada da safrinha ao mercado entre junho e agosto. A expectativa do setor é de preços entre R$ 64 e R$ 72 por saca na principal praça produtora — Sorriso (MT) — o que deve melhorar as margens dos integrados de aves e suínos no período.

A expansão do etanol de milho no Brasil adiciona um elemento novo na equação. Com mais de 20 usinas operando ou em construção no Mato Grosso, o consumo industrial do cereal cresce a cada ano, criando um piso de demanda que não existia há cinco anos. Essa mudança estrutural tende a sustentar o preço mínimo do milho em patamares mais elevados no longo prazo.

Para produtores de aves, suínos e bovinos, o planejamento financeiro para o segundo semestre deve considerar o custo do milho como variável crítica. O monitoramento semanal dos estoques e do ritmo de exportação, disponível no sistema Agrolink e nos boletins da CONAB, é essencial para antecipar movimentos de preço e ajustar a estratégia de compra de insumos com a antecedência necessária.


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