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Açúcar: safra 2026 e impacto das exportações brasileiras

A safra 2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul projeta produção recorde de açúcar. Brasil deve ampliar participação no mercado global e influenciar cotações internacionais.

Por Redação Estrato
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O açúcar brasileiro voltou ao centro das atenções do mercado global em 2026. Com a safra do Centro-Sul projetada para superar 42 milhões de toneladas do produto, o Brasil consolida sua posição como maior exportador mundial, respondendo por mais de 45% do açúcar comercializado internacionalmente. O momento é de oportunidade, mas também de atenção aos impactos no preço global da commodity.

Safra 2026: números e condições de campo

A colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, que concentra cerca de 90% da produção nacional, começou em abril em condições favoráveis. As chuvas adequadas no período de desenvolvimento vegetativo e a boa disponibilidade de mão de obra e máquinas colhedoras colocam a moagem no ritmo necessário para atingir as metas projetadas pelo UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

O mix de produção entre açúcar e etanol é determinado pelas condições de mercado: com o preço do açúcar na bolsa de Nova York acima de 22 centavos de dólar por libra-peso, as usinas tendem a maximizar a produção do adoçante em detrimento do combustível. Essa dinâmica é acompanhada de perto pelos traders, pois cada variação de 1% no mix pode representar variação significativa na oferta global.

A tecnologia tem sido grande aliada dos produtores de cana. Usinas de ponta já utilizam inteligência artificial para otimizar o planejamento da colheita, reduzir perdas e melhorar a eficiência industrial. Os resultados aparecem na produtividade: algumas usinas do interior paulista e goiano registraram até 145 kg de ATR (açúcar total recuperável) por tonelada de cana, recorde histórico.

O açúcar brasileiro tem custo de produção entre os mais competitivos do mundo, o que garante ao país a capacidade de exportar com margem mesmo em momentos de queda nas cotações internacionais — uma vantagem estrutural que poucos países conseguem igualar.

Mercado global e perspectivas de preço

No mercado internacional, o açúcar bruto negociado em Nova York oscilou entre 19 e 24 centavos de dólar por libra-peso no primeiro semestre de 2026. A pressão vendedora do Brasil é parcialmente compensada pela queda de produção na Índia — segundo maior produtor mundial — que enfrenta restrições de exportação impostas pelo governo indiano para garantir abastecimento doméstico.

A União Europeia, um dos maiores importadores mundiais, começa a reduzir gradualmente as quotas de importação com taxas preferenciais, o que pode abrir espaço para o açúcar brasileiro no mercado europeu a preços de mercado. Essa mudança regulatória, embora gradual, representa oportunidade de longo prazo para as usinas brasileiras que investirem em certificações de sustentabilidade exigidas pelo mercado europeu.

Para 2026, a projeção de analistas do setor é de estabilidade nas cotações entre 20 e 23 centavos, com pressão para baixo no segundo semestre quando o volume exportado pelo Brasil atingir o pico. Produtores e usinas que fixaram preços no início do ano com o açúcar acima de 22 centavos garantiram resultados superiores aos que aguardaram o mercado spot.


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