O café brasileiro escreveu mais um capítulo histórico no mercado global. As exportações de 2025 superaram 50 milhões de sacas de 60 kg pela primeira vez, consolidando o Brasil como líder incontestável na produção e exportação mundial da bebida. Para 2026, a projeção é de novo recorde, sustentada pelo aumento da demanda na Europa, no Leste Asiático e no próprio mercado interno.
Brasil domina o mercado global de café
O Brasil responde hoje por aproximadamente 38% de toda a produção mundial de café, cultivado em estados como Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia. A diversificação entre café arábica — preferido pelos mercados premium europeus e norte-americanos — e café robusta (conilon) — demandado pela indústria de solúvel — confere ao país uma posição única de flexibilidade para atender diferentes segmentos do mercado global.
Em 2025, as exportações de café verde cresceram 18% em volume e 24% em valor, refletindo não apenas o volume maior, mas também a melhoria do preço médio obtido pelos produtores. O café especial brasileiro, certificado por organizações como a SCA (Specialty Coffee Association), conquistou novos mercados na Coreia do Sul, Japão e países do Golfo Pérsico, que pagam prêmios acima de 100% sobre a cotação da bolsa de Nova York.
A valorização do café especial reflete uma tendência global: consumidores cada vez mais exigentes buscam rastreabilidade, sustentabilidade e sabores complexos. O Brasil tem investido em diferenciação, e os resultados aparecem no ticket médio das exportações, que cresce consistentemente ano a ano.
O café especial brasileiro já representa 15% do volume exportado, mas responde por quase 35% da receita total — demonstrando que qualidade e diferenciação são o caminho para ampliar margens no agronegócio.
Perspectivas para 2026 e desafios climáticos
A safra 2026 do café brasileiro é classificada como "bienal positiva" para o arábica, o que significa produção elevada nas principais regiões produtoras de Minas Gerais. O CONAB projeta produção total entre 58 e 62 milhões de sacas, volume que pressionará os preços na bolsa de Nova York (ICE) mesmo diante da demanda aquecida.
O principal risco para as exportações em 2026 é climático: o período de florada entre setembro e novembro de 2025 foi afetado por deficit hídrico em algumas regiões do Sul de Minas, o que pode reduzir a produtividade das lavouras de café arábica. Produtores que investiram em irrigação e manejo integrado de água registraram impactos menores e devem colher resultados melhores.
Para produtores e cooperativas, a recomendação dos especialistas é aproveitar os preços ainda favoráveis na bolsa para fixar parte da produção com antecedência. O câmbio acima de R$ 5,50 amplia a receita em reais, tornando este um momento estratégico para contratos de longo prazo com torrefadores e importadores europeus que buscam garantir abastecimento regular de café de qualidade.