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Steam Controller chega antes da Steam Machine; entenda o motivo

Valve explica atraso da Steam Machine e do controle de videogame. Entenda os motivos técnicos por trás da decisão e o que esperar do futuro do hardware da empresa.

Por Gabriel Cavalheiro
Tecnologia··6 min de leitura
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Steam Controller chega antes da Steam Machine; entenda o motivo - Tecnologia | Estrato

Steam Controller antecipa chegada, Steam Machine fica para depois

A Valve finalmente deu uma data para o seu aguardado controle, o Steam Controller. Ele chega em 4 de maio. Mas a má notícia é que ele virá sozinho. A Steam Machine, o computador gamer que roda SteamOS, e o Steam Link, que leva os jogos para a TV, continuam sem data para chegar ao mercado. Infelizmente, o Brasil está de fora da lista de países que receberão o controle inicialmente. O lançamento será apenas para os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e alguns países da Europa.

Essa separação no lançamento gerou muitas dúvidas. Por que o controle sai agora e as máquinas, que pareciam o carro-chefe da iniciativa, ficaram para trás? Um engenheiro de hardware da Valve, Steve Cardinali, deu uma entrevista ao site Polygon para explicar essa estratégia. E a resposta é mais técnica do que parece.

Por que a demora da Steam Machine? O 'fantasma' da RAM

A principal razão apontada por Cardinali para o atraso da Steam Machine é a complexidade em integrar todos os componentes de forma eficiente e com um custo acessível. Ele explicou que a dificuldade não está em montar um PC com Windows que rode jogos. O desafio é fazer isso rodar um sistema operacional novo, o SteamOS, e garantir que tudo funcione perfeitamente com o controle, que tem um design bastante diferente dos joysticks tradicionais.

O engenheiro mencionou especificamente a questão da memória RAM. "Não tem RAM!", ele disse, de forma enfática. Isso pode soar estranho, mas o que ele quis dizer é que a quantidade de RAM necessária para rodar o SteamOS e os jogos de forma fluida, especialmente com as funcionalidades únicas do controle, é um fator limitante. Encontrar a quantidade certa de RAM que seja barata o suficiente para não encarecer demais a máquina e, ao mesmo tempo, potente o suficiente para entregar a experiência prometida, é um malabarismo complicado.

A busca pelo equilíbrio entre performance e preço

Cardinali detalhou que a Valve está trabalhando com diversos parceiros para fabricar as Steam Machines. Cada parceiro tem suas próprias especificações e componentes. Garantir que todas essas configurações diferentes rodem o SteamOS de maneira consistente é um desafio. "Estamos lidando com um ecossistema de hardware muito mais fragmentado do que o de um console tradicional", ele comentou. A falta de padronização, que é uma característica do mundo dos PCs, se torna um obstáculo quando se tenta criar uma plataforma fechada e otimizada como a Steam Machine.

O controle, por outro lado, é um produto único. Embora complexo em seu design, com trackpads sensíveis ao toque e botões personalizáveis, sua fabricação em massa é mais previsível. A Valve tem controle total sobre o design e a produção do controle. Isso permite que eles definam um padrão e trabalhem para atingir metas de produção e qualidade sem depender tanto de terceiros para a arquitetura principal do hardware.

O Impacto no Mercado e no Bolso do Jogador

O atraso da Steam Machine pode ter um impacto significativo. Inicialmente, a promessa era de máquinas acessíveis, a partir de US$ 500 (cerca de R$ 2.400 na época). Mas a dificuldade em encontrar componentes adequados e otimizar o sistema para rodar jogos exigentes pode ter inflado esses custos. Existe o receio de que as Steam Machines cheguem ao mercado com preços mais altos do que o esperado, competindo diretamente com PCs gamer já estabelecidos e consoles como o PlayStation 4 e o Xbox One.

Para o jogador, isso significa que a experiência de jogar no PC, mas com a conveniência de um console na sala de estar, pode demorar mais a se concretizar. A Valve está apostando em um mercado que ainda está se formando: o de jogos de PC na TV, sem a necessidade de um setup complicado. O Steam Controller é o primeiro passo para acostumar os jogadores com uma nova forma de interagir com os games.

A Valve busca um equilíbrio delicado entre a flexibilidade do PC e a simplicidade de um console. O desafio de hardware, especialmente com a RAM e a integração de componentes diversos, tem sido o principal gargalo.

O Futuro da Steam Machine e do SteamOS

Apesar dos percalços, a Valve não desistiu da Steam Machine. A empresa continua trabalhando para refinar o SteamOS e encontrar parceiros que possam oferecer máquinas com bom custo-benefício. O lançamento do controle é uma forma de manter o interesse no ecossistema Steam no ambiente da sala de estar. Ele permite que os jogadores experimentem uma nova forma de jogar, mesmo que ainda dependam de um PC tradicional para rodar os jogos.

A expectativa é que, com o tempo e mais experiência, a Valve consiga superar os desafios técnicos e de produção. Talvez vejamos máquinas mais acessíveis e com desempenho ainda melhor no futuro. A jornada para levar o Steam para a sala de estar está sendo mais longa e complexa do que muitos imaginavam. A paciência será fundamental para quem espera por essa revolução.

O que esperar para os próximos meses?

O foco agora é no Steam Controller e em preparar o terreno para a chegada das Steam Machines. A Valve provavelmente vai usar o feedback dos jogadores sobre o controle para ajustar o design e a funcionalidade. A empresa também deve continuar a otimizar o SteamOS, talvez lançando atualizações que melhorem o desempenho em hardware mais limitado. A concorrência no mercado de consoles e PCs é acirrada. A Valve precisa acertar cada passo para conquistar seu espaço.

Enquanto isso, o Steam Link, que promete streaming de jogos da sua máquina para a TV, também segue no limbo. A esperança é que, após o lançamento do controle, a Valve retome o foco nesses outros produtos. A promessa de um ecossistema completo para jogos na sala de estar ainda é atraente. Resta saber quando ela se tornará realidade para todos os jogadores.


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Gabriel Cavalheiro

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