Crédito Privado: Risco Alto, Retorno Baixo no Cenário Atual
Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, fez um alerta importante ao mercado. Ele afirma que o crédito privado hoje oferece um retorno muito baixo para o risco envolvido. Isso exige uma revisão estratégica para investidores.
Menezes defende que os spreads atuais estão “apertados demais”. Eles não compensam o risco de calote, que sempre existe. Esta visão desafia a forma como muitos executivos veem suas alocações de capital hoje.
Contexto: Por que o Crédito Privado Perdeu o Brilho?
O mercado de crédito privado no Brasil passou por mudanças significativas. Em momentos de juros altos, como agora, o retorno de investimentos mais seguros cresce. Isso puxa o valor esperado do crédito privado para cima também.
No entanto, os spreads – a diferença entre o rendimento do crédito privado e um título sem risco – não acompanharam essa alta. Eles se mantiveram comprimidos. Isso cria um desequilíbrio perigoso para o investidor.
Spreads Apertados: O Calcanar de Aquiles
Para entender, imagine que você empresta dinheiro para uma empresa. Você espera receber um prêmio por este risco. Este prêmio é parte do spread.
Hoje, este prêmio não está suficiente. A avaliação de risco de calote não está precificada adequadamente. Então, o investidor assume um risco maior sem a recompensa justa. Isso desfavorece o crédito privado frente a outras opções.
A alta da Selic, que subiu de 2% para 13,75% em ciclos recentes, por exemplo, impactou os ativos. Mas os prêmios de risco do crédito privado não acompanharam essa elevação na mesma medida. Isso é o que Menezes observa no mercado.
Muitas empresas buscaram financiamento com taxas mais atraentes no passado. Agora, com o custo do capital mais caro, renegociações e riscos de inadimplência aumentam. Isso deveria ser refletido nos spreads, mas não tem sido.
Impacto: O Que Isso Muda Para o Seu Dinheiro?
Para o executivo que gerencia capital, a mensagem é clara. É preciso repensar as alocações em crédito privado. Manter uma posição sem o devido prêmio de risco é uma decisão custosa.
O capital investido ali poderia gerar mais retorno em outro lugar. Esta é a essência do custo de oportunidade. Não se trata de abandonar o crédito privado. É sobre ser seletivo e muito cauteloso.
Foco em Juros Reais: Onde Está a Oportunidade?
Menezes sugere um foco em juros reais. Isso significa investimentos que rendem acima da inflação. Eles protegem o poder de compra do seu capital. Em um cenário de incertezas econômicas, isso é crucial.
Ele até critica algumas opções tradicionais. O Tesouro IPCA+ e os prefixados, por exemplo, podem não ser as melhores escolhas. Isso ocorre por conta de expectativas de inflação e riscos de marcação a mercado.
Um título prefixado pode parecer bom hoje. Mas, se a inflação ou a Selic subirem mais, seu retorno real diminui. O Tesouro IPCA+ protege da inflação, mas sua parte prefixada ainda tem risco de mercado.
Leia também



