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Capim para Recria e Engorda: Escolha Certa em Irrigação

Especialista detalha as melhores forrageiras para recria e engorda em pastagens irrigadas. Saiba como garantir produção estável e lucrativa.

Por Giovanni Porfírio
Agro··8 min de leitura
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Capim para Recria e Engorda: Escolha Certa em Irrigação - Agro | Estrato

Capim Ideal para Recria e Engorda em Pastagens Irrigadas

Escolher o capim certo para recria e engorda em áreas irrigadas é um dos segredos para ter sucesso na pecuária. A irrigação abre portas para um manejo mais intensivo. Ela permite que as pastagens produzam forragem o ano todo. Mas qual a melhor gramínea para essa situação? Um especialista analisou o tema em Buenópolis, Minas Gerais. A meta é garantir que a produção de carne seja estável e lucrativa.

A decisão sobre qual forrageira plantar afeta diretamente o desempenho do gado. Ela influencia o ganho de peso, a taxa de lotação e os custos de produção. Em áreas irrigadas, o potencial de produção é muito maior. Isso exige plantas que respondam bem ao manejo e à adubação. O objetivo é maximizar o uso da água e dos nutrientes disponíveis.

Desafios da Irrigação na Pecuária

Irrigar pastagens pode parecer simples, mas exige conhecimento técnico. A quantidade de água, a frequência e o método de irrigação precisam ser ajustados. Isso depende do tipo de solo, do clima e da forrageira escolhida. Um manejo inadequado pode levar ao desperdício de água e energia. Pode também causar compactação do solo ou o surgimento de plantas daninhas.

A irrigação permite que o pecuarista tenha mais controle sobre a oferta de pasto. Isso é crucial para a recria e engorda. O gado jovem precisa de alimento de qualidade para crescer. Animais em fase de terminação precisam de uma dieta rica em energia para ganhar peso rapidamente. A falta de forragem de qualidade em momentos chave pode comprometer todo o ciclo produtivo.

Forrageiras em Destaque para Irrigação

A escolha da forrageira certa é a base para o sucesso. Em áreas irrigadas, algumas espécies se destacam pelo seu potencial produtivo e qualidade. O capim Brachiaria, por exemplo, é muito popular no Brasil. Existem diversas cultivares, cada uma com características específicas.

Capim Marandu (Brachiaria brizantha cv. Marandu)

O Marandu é um dos capins mais usados no país. Ele é conhecido pela sua resistência e boa adaptação a diferentes solos. Em áreas irrigadas, ele responde muito bem à adubação. Isso aumenta sua produção de massa verde. Sua qualidade nutricional é boa, com teores de proteína que variam.

A palatabilidade do Marandu é um ponto positivo. Os animais gostam de comê-lo. Isso ajuda no consumo e, consequentemente, no ganho de peso. No entanto, ele pode ter problemas com cigarrinha-das-pastagens. O manejo da irrigação e da adubação é essencial para manter a sanidade da planta e evitar ataques de pragas.

Capim Piatã (Brachiaria brizantha cv. Piatã)

O Piatã é outra cultivar de Brachiaria brizantha. Ele se destaca pela sua boa qualidade nutricional. Apresenta um teor de proteína geralmente mais alto que o Marandu. Isso é excelente para a fase de recria, onde o desenvolvimento muscular é importante.

Ele também é mais tolerante à seca que o Marandu. Mas, em áreas irrigadas, seu potencial produtivo é ainda maior. A irrigação ajuda a manter uma boa oferta de forragem por mais tempo. O Piatã também é suscetível à cigarrinha-das-pastagens. O controle de pragas e o manejo adequado são fundamentais.

Capim Mombaça (Panicum maximum cv. Mombaça)

Saindo das Brachiarias, o Mombaça é um capim do gênero Panicum. Ele é conhecido pelo seu alto potencial de produção de massa verde. Em condições de irrigação e boa fertilidade do solo, ele pode produzir muito mais que as Brachiarias.

O Mombaça tem boa qualidade nutricional, com altos teores de proteína e digestibilidade. Isso o torna ideal para a fase de engorda. Ele favorece ganhos de peso mais rápidos. Contudo, o Mombaça exige um manejo mais cuidadoso. Ele é mais sensível à falta de água e a solos pobres. O controle de plantas daninhas também é importante, pois ele pode ser facilmente infestado.

Capim Tanzânia (Panicum maximum cv. Tanzânia)

Similar ao Mombaça, o Tanzânia também pertence ao gênero Panicum. Ele apresenta alto potencial produtivo e boa qualidade nutricional. É uma excelente opção para recria e engorda intensivas em áreas irrigadas.

A principal diferença entre Mombaça e Tanzânia está na sua arquitetura. O Tanzânia tende a ser mais decumbente (mais rasteiro). Isso pode facilitar o pastejo em alguns casos. Ambos os capins se beneficiam muito da irrigação e de um programa de adubação bem planejado. A exigência de manejo é alta para ambos.

Análise em Buenópolis (MG)

A análise realizada em Buenópolis, Minas Gerais, buscou identificar as forrageiras ideais para a região. A propriedade em questão utiliza irrigação para garantir a produção de pasto durante todo o ano. O foco é a recria e engorda de bovinos de corte. O objetivo é otimizar o uso da terra e aumentar a lucratividade.

O especialista que acompanhou o trabalho destacou a importância de conhecer o solo e o clima local. Ele também ressaltou a necessidade de um plano de manejo integrado. Isso inclui adubação, controle de pragas e plantas daninhas, e o ajuste da carga animal. A escolha da forrageira é apenas uma parte do processo. Sem um bom manejo, mesmo a melhor planta pode não entregar todo o seu potencial.

A escolha da forrageira certa em áreas irrigadas pode aumentar a produtividade em até 40%, segundo estudos da Embrapa.

Manejo da Irrigação e Adubação

Em áreas irrigadas, o manejo da água é crítico. A quantidade e a frequência da irrigação devem ser baseadas nas necessidades da planta e nas condições climáticas. Um sistema de irrigação eficiente, como pivô central ou gotejamento, pode fazer a diferença. Ele garante que a água chegue às raízes sem desperdício.

A adubação em pastagens irrigadas deve ser frequente e balanceada. A alta produção de massa verde demanda muitos nutrientes. O nitrogênio é fundamental para o crescimento das gramíneas. O fósforo e o potássio são importantes para o desenvolvimento das raízes e a sanidade da planta. A análise de solo regular ajuda a ajustar as doses de fertilizantes.

Controle de Pragas e Plantas Daninhas

A umidade constante em áreas irrigadas pode favorecer o aparecimento de doenças e pragas. A cigarrinha-das-pastagens é um exemplo clássico. O monitoramento constante é a melhor ferramenta. Ao primeiro sinal de infestação, medidas de controle devem ser tomadas.

As plantas daninhas competem por água, luz e nutrientes. Elas reduzem a qualidade da forragem e a produtividade da pastagem. O controle pode ser feito de forma manual, mecânica ou química. A escolha do método depende da espécie da planta daninha e da tecnologia disponível.

Impacto na Recria e Engorda

A escolha correta da forrageira e um bom manejo da irrigação trazem benefícios diretos para a recria e engorda. O gado terá acesso a pasto de alta qualidade por mais tempo. Isso significa que os animais vão comer mais e melhor.

O ganho de peso diário (GPD) tende a aumentar. A taxa de lotação da pastagem pode ser elevada. Isso permite que mais animais sejam criados na mesma área. O ciclo de produção se torna mais curto e eficiente. Menos tempo no pasto significa menor custo com alimentação e manejo.

Melhora no Ganho de Peso

Pastagens bem manejadas em áreas irrigadas oferecem um suprimento contínuo de forragem nutritiva. Isso resulta em maior consumo voluntário pelos animais. Um maior consumo de matéria seca de qualidade leva a um maior ganho de peso. Animais bem nutridos atingem o peso de abate mais cedo.

A qualidade da forragem também influencia a eficiência alimentar. Quanto mais digestível e rica em nutrientes, menos o animal precisa comer para ganhar peso. Isso otimiza o uso do pasto e reduz a necessidade de suplementação.

Aumento da Taxa de Lotação

Com maior produção de massa verde por hectare, é possível aumentar o número de animais por área. Isso é conhecido como taxa de lotação. Em pastagens irrigadas e bem manejadas, a lotação pode ser significativamente maior do que em áreas de sequeiro.

Um aumento na taxa de lotação significa mais animais produzindo carne na sua fazenda. Isso potencializa o retorno sobre o investimento. É preciso, contudo, ajustar a lotação à capacidade real de suporte da pastagem para evitar o superpastejo.

O Que Esperar do Futuro

A tendência é que a pecuária de precisão ganhe ainda mais espaço. O uso de tecnologias de irrigação e o monitoramento remoto das pastagens se tornarão comuns. A escolha de forrageiras adaptadas a essas tecnologias será crucial.

O investimento em genética de plantas forrageiras também continua. Novas cultivares com maior resistência a pragas e doenças, e melhor qualidade nutricional, estão sempre sendo desenvolvidas. O pecuarista que se manter atualizado terá vantagem competitiva.

A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) também pode ser uma aliada. Ela ajuda a diversificar a produção e a melhorar a sustentabilidade do sistema. Escolher o capim certo é o primeiro passo. O manejo correto e a tecnologia são os próximos.


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Giovanni Porfírio

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