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PL dos Minerais Críticos: Greenpeace alerta para riscos ambientais e sociais

Proposta em tramitação no Congresso Nacional visa fomentar a extração de minerais essenciais para a transição energética, mas enfrenta críticas de ONGs por falta de salvaguardas ambientais e sociais robustas.

Por Greenpeace Brasil
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PL dos Minerais Críticos: Greenpeace alerta para riscos ambientais e sociais - ESG | Estrato

O Projeto de Lei (PL) 11.053/2018, conhecido como o PL dos Minerais Críticos, que busca estabelecer uma política nacional para a exploração desses recursos no Brasil, está em vias de ser votado na Câmara dos Deputados. A proposta, que surge em um contexto global de crescente demanda por minerais como lítio, cobalto e níquel – essenciais para a fabricação de baterias, veículos elétricos e tecnologias verdes –, tem sido alvo de avaliações críticas por parte de organizações socioambientais. O Greenpeace Brasil, em análise divulgada recentemente, aponta que o texto, em sua forma atual, carece de regras mais assertivas para garantir que a exploração desses minerais ocorra de maneira sustentável, com o devido respeito ao meio ambiente, aos direitos das comunidades locais e aos territórios indígenas.

A relevância do tema se acentua diante da urgência da transição energética global. A busca por fontes de energia limpa e a eletrificação do transporte impulsionam uma corrida por minerais considerados estratégicos, que são a base para tecnologias de baixo carbono. O Brasil, detentor de vastas reservas minerais, tem o potencial de se tornar um player importante nesse mercado. Contudo, a exploração desenfreada e sem regulamentação adequada pode gerar impactos socioambientais severos, como desmatamento, contaminação de solos e corpos d'água, além de conflitos fundiários e violação de direitos humanos. A política de minerais críticos, portanto, precisa equilibrar o desenvolvimento econômico com a proteção ambiental e o bem-estar social.

Desafios e Oportunidades na Exploração de Minerais Críticos

A chamada transição energética, fundamental para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, depende intrinsecamente da disponibilidade de minerais como lítio, cobalto, níquel, grafita, terras raras, entre outros. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que a demanda por esses materiais pode quadruplicar até 2040, impulsionada pela expansão da frota de veículos elétricos e pelo armazenamento de energia em larga escala. Nesse cenário, o Brasil se destaca não apenas por possuir reservas significativas de minerais como nióbio e grafita, mas também por ter potencial para a produção de outros, como lítio e níquel, em regiões como o Vale do Jequitinhonha (MG) e a Província Mineral de Carajás (PA).

O PL dos Minerais Críticos visa, em tese, criar um arcabouço legal para estimular o investimento e a produção desses materiais no país. A proposta prevê a criação de um programa estratégico para o setor, com o objetivo de garantir o suprimento desses minerais essenciais para a indústria nacional e internacional. No entanto, o debate em torno do projeto tem se concentrado na ausência de garantias robustas para mitigar os riscos inerentes à atividade minerária. O Greenpeace Brasil, em seu comunicado, enfatiza que a política de minerais críticos não pode se sobrepor à legislação ambiental vigente, como o Código Florestal e a Política Nacional de Meio Ambiente, nem aos direitos estabelecidos para os povos indígenas e comunidades tradicionais.

Críticas sobre a Governança Ambiental e Social

A principal preocupação levantada pelo Greenpeace e outras entidades é a falta de mecanismos claros e rigorosos para a avaliação e o licenciamento ambiental de projetos de mineração de minerais críticos. O projeto de lei, segundo os críticos, abre brechas para flexibilizações que podem comprometer a proteção de ecossistemas sensíveis. A participação social efetiva nos processos decisórios, especialmente das comunidades afetadas pela mineração, também é apontada como um ponto fraco do texto. A necessidade de consulta prévia, livre e informada, conforme preconiza a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário, não estaria adequadamente assegurada.

"A política de minerais críticos precisa vir acompanhada de critérios rigorosos de proteção ambiental, participação social e respeito aos territórios. Não podemos repetir os erros do passado, onde o desenvolvimento econômico foi imposto sem considerar os impactos sobre a natureza e as pessoas. O Brasil tem a oportunidade de se posicionar como líder em mineração sustentável, mas para isso, o PL precisa ser aprimorado com salvaguardas claras e transparentes", afirmou Nilo D'Ávila, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil, em nota oficial. A falta de detalhamento sobre como os princípios da precaução e da prevenção serão aplicados em projetos de minerais críticos é um dos pontos mais criticados.

Impactos para Empresas e Investidores

Para o setor empresarial e para investidores, o PL dos Minerais Críticos representa tanto uma oportunidade quanto um desafio. Por um lado, a consolidação de uma política nacional pode trazer maior segurança jurídica e incentivos para o desenvolvimento de projetos. A demanda global crescente por esses minerais sugere um mercado promissor para empresas brasileiras com capacidade de produção. A expectativa é de que a exploração dessas jazidas possa gerar empregos, movimentar a economia e atrair investimentos estrangeiros diretos.

Por outro lado, a incerteza regulatória e a percepção de riscos socioambientais podem afastar investidores mais cautelosos, especialmente aqueles que seguem critérios ESG (Ambiental, Social e Governança). Empresas que buscam operar em conformidade com os mais altos padrões de sustentabilidade podem encontrar dificuldades se o marco legal não oferecer garantias adequadas. A reputação de uma empresa pode ser severamente afetada por escândalos ambientais ou sociais relacionados à mineração. Portanto, a aprovação de um PL que contemple salvaguardas ambientais e sociais robustas seria fundamental para atrair investimentos responsáveis e posicionar o Brasil como um fornecedor confiável de minerais críticos em uma cadeia de suprimentos global cada vez mais atenta às questões de sustentabilidade.

A falta de clareza nas regras de licenciamento, a fragilidade na proteção de áreas sensíveis e a ausência de mecanismos robustos de consulta às comunidades locais podem levar a judicializações e paralisações de projetos, gerando prejuízos financeiros e de imagem. Investidores internacionais, em particular, estão cada vez mais exigentes quanto à origem dos materiais e às práticas de extração. Um ambiente regulatório que priorize a sustentabilidade e o respeito aos direitos humanos é, portanto, um diferencial competitivo.

Perspectivas e Próximos Passos

O desfecho da votação do PL 11.053/2018 na Câmara dos Deputados e, posteriormente, no Senado, definirá o futuro da política de minerais críticos no Brasil. A expectativa é que haja um amplo debate, com a participação de diversos setores da sociedade, para aprimorar o texto e incluir as salvaguardas necessárias. A inclusão de critérios ambientais mais rigorosos, mecanismos de participação social mais efetivos e o respeito incondicional aos direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais são pontos cruciais para que o Brasil possa, de fato, alavancar o potencial de seus minerais críticos de forma sustentável e responsável.

A aprovação de um marco regulatório equilibrado pode posicionar o Brasil como um fornecedor estratégico de minerais para a transição energética global, atraindo investimentos e impulsionando o desenvolvimento econômico. No entanto, o caminho para isso exige um compromisso genuíno com a sustentabilidade, a proteção ambiental e os direitos humanos. A forma como o Brasil gerenciará a exploração de seus recursos minerais críticos definirá não apenas seu papel na economia global, mas também seu legado ambiental e social para as futuras gerações.

Diante da complexidade e da importância estratégica dos minerais críticos para o futuro energético global, como o Brasil pode garantir que a exploração desses recursos impulsione o desenvolvimento sustentável sem comprometer seus ecossistemas e as populações locais?

Perguntas frequentes

O que são minerais críticos?

Minerais críticos são aqueles considerados essenciais para a economia de um país e para as tecnologias emergentes, mas que apresentam risco de fornecimento devido a fatores geológicos, políticos ou econômicos. Exemplos incluem lítio, cobalto, níquel, terras raras, grafita, entre outros, fundamentais para baterias, veículos elétricos e energias renováveis.

Qual a principal crítica ao PL dos Minerais Críticos?

A principal crítica, segundo o Greenpeace Brasil, é a falta de regras mais assertivas e salvaguardas robustas para a proteção ambiental, a participação social e o respeito aos territórios, especialmente aos povos indígenas e comunidades tradicionais, durante a exploração desses minerais.

Como o PL dos Minerais Críticos pode impactar empresas e investidores?

O PL pode oferecer oportunidades de investimento e desenvolvimento de projetos, mas a ausência de garantias socioambientais claras pode afastar investidores focados em ESG e gerar riscos de judicialização e danos à reputação. Um marco regulatório equilibrado é visto como essencial para atrair investimentos responsáveis.

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