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Clima: Estados criam leis, mas falham em executar planos

Estudo revela avanços na legislação climática em estados brasileiros. Contudo, a execução das políticas falha, ampliando riscos de eventos extremos e prejuízos.

Por Karina Pinheiro
ESG··6 min de leitura
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Clima: Estados criam leis, mas falham em executar planos - ESG | Estrato

Clima: Leis existem, mas ação patina no Brasil

A legislação climática no Brasil avançou bastante, pelo menos no papel. Um estudo recente mostra que muitos estados brasileiros criaram leis e planos ambiciosos para lidar com as mudanças do clima. O problema é que a execução dessas políticas deixa muito a desejar. Essa falha na prática aumenta os riscos e os prejuízos, principalmente quando eventos climáticos extremos acontecem.

O anuário do Observatório do Clima, divulgado em 2023, foi o que levantou essa bola. Ele analisou a situação climática em todos os estados brasileiros. Vimos progressos, sim. Mas a desigualdade entre as regiões e a falta de adaptação são gritantes. Gargalos institucionais também atrapalham muito. Tudo isso deixa o país mais vulnerável.

O que o estudo revelou sobre o clima nos estados

O anuário pegou dados de 2022. Ele mostrou que 25 estados e o Distrito Federal já têm leis sobre mudanças climáticas. Além disso, 18 estados criaram planos de adaptação. Isso parece ótimo, né? Mostra que os governos reconhecem o problema. Mas a realidade é bem diferente. Muitas dessas leis e planos são apenas retórica. Falta investimento e vontade política para colocar tudo em prática. Apenas 10 estados apresentaram algum avanço concreto na execução de suas políticas climáticas. Isso é muito pouco para um país do tamanho e da importância do Brasil. Enquanto isso, os eventos extremos só pioram. Secas mais intensas no Nordeste, enchentes devastadoras em São Paulo e no Sul, e temperaturas recordes em todo o país. Esses fenômenos causam perdas enormes. Prejudicam a agricultura, a infraestrutura e a vida das pessoas. E a falta de ação dos governos agrava tudo isso. O estudo aponta que a maior parte dos estados não tem metas claras para reduzir emissões. Nem planos eficazes para se adaptar aos impactos que já estão acontecendo.

Desigualdade regional e falta de recursos

A desigualdade entre os estados é um ponto chave. Enquanto algumas unidades da federação, como São Paulo e Rio de Janeiro, têm mais recursos e capacidade técnica para implementar políticas climáticas, outras sofrem com a falta de tudo. Isso cria um abismo. Os estados mais pobres e vulneráveis são justamente os que mais precisam de ações climáticas. Mas são eles que menos conseguem executar seus planos. A falta de pessoal qualificado, de orçamento e de coordenação entre os órgãos públicos é um problema sério. Sem isso, as leis e os planos ficam só no papel.

O estudo também mostra que muitos estados não estão preparados para lidar com os eventos extremos. As defesas civis, por exemplo, muitas vezes carecem de recursos e treinamento. A infraestrutura urbana não foi pensada para resistir a chuvas mais fortes ou a ondas de calor intensas. A adaptação é crucial. Precisamos pensar em como proteger as cidades e as pessoas. Isso envolve desde o planejamento urbano até a recuperação de áreas degradadas.
“Ainda há um longo caminho a percorrer para que as políticas climáticas deixem de ser apenas um discurso e se tornem uma realidade concreta nos estados brasileiros. A falta de articulação entre os diferentes níveis de governo e a ausência de prioridade política são os principais entraves.”
Essa citação resume bem o problema. O que mais nos preocupa é a falta de articulação. Os governos federal, estaduais e municipais precisam trabalhar juntos. Mas, na prática, isso raramente acontece. Cada um puxa para um lado. A falta de prioridade política também é um fator decisivo. A agenda climática compete com outras urgências. Muitas vezes, ela acaba ficando em segundo plano. Especialmente em tempos de crise econômica.

O que muda para você com essa situação?

A falta de execução das políticas climáticas tem impacto direto na sua vida. Eventos extremos, como enchentes e secas, se tornam mais frequentes e intensos. Isso afeta o preço dos alimentos, a disponibilidade de água e a segurança das cidades. Você pode enfrentar mais racionamento de água, por exemplo. Ou ter que lidar com o aumento dos custos de produtos básicos. A sua casa pode estar mais exposta a riscos de alagamentos ou deslizamentos de terra. A saúde também é afetada, com o aumento de doenças respiratórias e transmitidas por vetores.

A economia do país também sofre. A agricultura, um dos pilares da nossa economia, é muito sensível ao clima. Perdas de safra significam menos exportações e preços mais altos no mercado interno. A infraestrutura, como estradas e pontes, sofre danos constantes com eventos extremos. A reconstrução custa caro. E esse dinheiro poderia ser usado em outras áreas, como saúde e educação. A transição para uma economia de baixo carbono também fica mais lenta. Isso nos deixa para trás em relação a outros países. Países que já estão investindo em energias renováveis e tecnologias limpas.

Gargalos institucionais e a necessidade de adaptação

Os gargalos institucionais são um obstáculo enorme. A burocracia excessiva, a falta de capacidade técnica em alguns órgãos públicos e a corrupção dificultam a implementação de projetos. A falta de dados confiáveis sobre os impactos climáticos também é um problema. Sem informações precisas, é difícil planejar e agir de forma eficaz. Precisamos de instituições mais fortes e eficientes. Que sejam capazes de coordenar as ações e garantir que os recursos sejam bem aplicados. A adaptação às mudanças climáticas é um processo contínuo. Não é algo que se resolve de uma vez por todas. Precisamos de políticas de longo prazo. Que considerem os cenários futuros e protejam as populações mais vulneráveis.

A sociedade civil tem um papel importante a desempenhar. Cobrar os governantes, participar das decisões e pressionar por ações concretas. As empresas também precisam fazer a sua parte. Investir em práticas sustentáveis e reduzir suas emissões. A conscientização da população é fundamental. Quanto mais pessoas entenderem a urgência da crise climática, maior será a pressão por mudanças. O anuário nos mostra que temos leis, mas falta ação. A esperança é que os dados sirvam de alerta. Para que governadores e prefeitos coloquem o clima como prioridade. E que a execução das políticas se torne realidade. Não apenas no papel.

O que esperar para o futuro?

O futuro do clima no Brasil depende muito das ações que tomarmos agora. Se os estados continuarem falhando na execução de suas políticas, os riscos só aumentarão. Veremos mais eventos extremos, mais perdas econômicas e sociais. A desigualdade deve se acentuar. As populações mais pobres serão as mais atingidas. Por outro lado, se houver um esforço conjunto para superar os gargalos institucionais e investir em adaptação, podemos mitigar os piores cenários. A pressão da sociedade civil e a demanda por soluções climáticas mais eficazes podem forçar os governantes a agir. A expectativa é que os dados do anuário sirvam como um chamado à ação. Para que o Brasil saia da inércia e enfrente de vez a crise climática com medidas concretas e eficazes. A urgência é real. A hora de agir é agora.

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Karina Pinheiro

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