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Setor de Construção: A Aversão Persistente ao Seguro Cibernético

Apesar da crescente ameaça de ataques cibernéticos, o setor de construção no Brasil demonstra uma notável resistência na adoção de seguros cibernéticos. Este artigo analisa as razões por trás dessa hesitação e os riscos financeiros e operacionais associados.

Por Obras e Construção Civil
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Setor de Construção: A Aversão Persistente ao Seguro Cibernético - construcao | Estrato

A segurança cibernética tem se tornado uma preocupação central para empresas de todos os portes e setores, impulsionada pela digitalização acelerada e pelo aumento da sofisticação das ameaças virtuais. No entanto, o setor da construção civil brasileira, apesar de sua crescente dependência de tecnologias digitais para planejamento, execução e gestão de projetos, ainda apresenta uma adesão surpreendentemente baixa a produtos de seguro cibernético. Essa resistência, que persiste mesmo diante de relatos cada vez mais frequentes de ataques bem-sucedidos em outras indústrias, expõe as empresas do setor a riscos financeiros e operacionais significativos, que podem comprometer sua sustentabilidade a longo prazo.

O setor de construção civil, tradicionalmente percebido como mais resiliente a inovações digitais, tem passado por uma transformação gradual. O uso de softwares de gestão de projetos, plataformas de colaboração online, sistemas de automação e até mesmo a Internet das Coisas (IoT) em canteiros de obras tem se tornado mais comum. Essas ferramentas aumentam a eficiência, otimizam recursos e melhoram a comunicação, mas também criam novos vetores de ataque para criminosos cibernéticos. Dados de empresas de segurança indicam um aumento contínuo nos incidentes cibernéticos direcionados a empresas de infraestrutura e construção, que muitas vezes detêm dados sensíveis sobre projetos, clientes, fornecedores e informações financeiras.

Os Riscos Crescentes Para o Setor

A falta de um seguro cibernético adequado deixa as construtoras vulneráveis a uma série de prejuízos em caso de um ataque bem-sucedido. Um incidente pode resultar em:

  • Perda de Dados Críticos: Informações de projetos, plantas, dados de clientes, informações financeiras e propriedade intelectual podem ser roubadas, criptografadas (ransomware) ou destruídas. A recuperação desses dados pode ser impossível ou extremamente custosa.
  • Interrupção das Operações: Ataques de ransomware ou negação de serviço (DDoS) podem paralisar sistemas essenciais para a gestão de projetos, logística, comunicação e até mesmo para o controle de maquinário. O tempo de inatividade pode gerar atrasos significativos em cronogramas e multas contratuais.
  • Custos de Recuperação e Remediação: A resposta a um incidente cibernético envolve investigações forenses, restauração de sistemas, pagamento de resgates (em casos de ransomware, embora não recomendado), comunicação com partes afetadas e possíveis multas regulatórias.
  • Danos à Reputação: A exposição de dados de clientes ou parceiros, ou a falha em entregar projetos devido a um ataque cibernético, pode gerar uma perda irreparável de confiança e credibilidade no mercado.
  • Responsabilidade Legal: Dependendo da natureza dos dados comprometidos e das leis de proteção de dados (como a LGPD no Brasil), a empresa pode enfrentar processos judiciais e sanções financeiras significativas.

Apesar dessas ameaças claras, a adoção de seguros cibernéticos no setor da construção civil tem sido lenta. De acordo com especialistas do setor de seguros, a penetração desses produtos no segmento ainda é baixa quando comparada a outros setores como o financeiro ou de tecnologia. Um levantamento informal aponta que menos de 10% das empresas de construção de médio e grande porte no Brasil possuem apólices de seguro cibernético com cobertura adequada.

Por Que a Resistência Persiste?

Diversos fatores contribuem para essa aversão ao seguro cibernético:

Falta de Conscientização e Compreensão

Muitos executivos do setor de construção ainda não compreendem totalmente a natureza e a escala dos riscos cibernéticos. Existe uma percepção equivocada de que suas empresas são alvos menos prováveis ou que suas operações digitais são menos complexas do que as de outros setores. A complexidade das apólices de seguro cibernético, que podem variar significativamente em cobertura e exclusões, também pode ser uma barreira.

Percepção de Custo Elevado

O custo do seguro cibernético é frequentemente citado como um impedimento. Empresas, especialmente as de menor porte, podem ver o prêmio do seguro como um investimento que não se justifica diante de outras prioridades orçamentárias. No entanto, essa visão ignora o potencial custo de um incidente cibernético não segurado, que pode ser exponencialmente maior do que o valor da apólice.

Crença em Medidas de Segurança Internas

Algumas empresas acreditam que suas medidas de segurança interna já são suficientes para protegê-las contra ataques. Embora investimentos em cibersegurança sejam cruciais, nenhuma defesa é infalível. O seguro cibernético atua como uma rede de segurança, cobrindo os custos e as perdas que as defesas internas podem não conseguir evitar.

Foco em Riscos Tradicionais

A indústria da construção está acostumada a lidar com riscos físicos e operacionais tradicionais, como acidentes de trabalho, falhas estruturais, intempéries e questões contratuais. Os riscos cibernéticos são mais abstratos e menos tangíveis, o que pode dificultar sua priorização na agenda de gestão de riscos.

Ciclo de Vida do Projeto e Cadeia de Suprimentos

A complexidade da cadeia de suprimentos na construção, com múltiplos fornecedores e subcontratados, também amplia a superfície de ataque. Um incidente em um fornecedor de software ou em um subempreiteiro pode ter ramificações diretas para a construtora principal. O seguro cibernético pode ajudar a mitigar parte dessa exposição.

Impacto nos Negócios e Investimentos

A relutância em contratar seguro cibernético tem implicações diretas para a saúde financeira e a competitividade das empresas de construção. Empresas sem essa proteção estão mais expostas a:

  • Perdas Financeiras Inesperadas: Um ataque cibernético pode gerar despesas imprevistas que comprometem o fluxo de caixa e a lucratividade.
  • Dificuldade de Acesso a Crédito e Investimento: Investidores e instituições financeiras estão cada vez mais atentos aos riscos cibernéticos. Empresas que não demonstram uma gestão robusta desses riscos podem enfrentar mais dificuldades para obter financiamento ou atrair investimentos. A falta de seguro pode ser vista como um sinal de fraqueza na gestão de riscos.
  • Perda de Vantagem Competitiva: Empresas que sofrem interrupções prolongadas devido a ataques cibernéticos perdem prazos, clientes e reputação, abrindo espaço para concorrentes mais resilientes.
  • Dificuldade em Cumprir Contratos: Muitos contratos modernos, especialmente com grandes corporações e órgãos governamentais, incluem cláusulas de segurança cibernética. A falha em proteger dados ou manter a continuidade operacional pode levar ao descumprimento contratual e a penalidades.

A conscientização sobre os riscos cibernéticos está crescendo, mas a tradução dessa conscientização em ações concretas, como a contratação de seguros adequados, ainda é um desafio. O mercado segurador, por sua vez, tem buscado desenvolver produtos mais customizados e acessíveis para o setor, educando o mercado sobre a importância da proteção. Empresas de tecnologia e consultorias especializadas em cibersegurança também oferecem serviços de avaliação de riscos e implementação de medidas de segurança, complementando a função do seguro.

O Caminho a Seguir

Ignorar o risco cibernético no setor da construção não é mais uma opção viável. A digitalização continuará a avançar, tornando as empresas ainda mais interconectadas e, consequentemente, mais vulneráveis. A adoção de seguros cibernéticos deve ser vista não como um custo adicional, mas como um investimento estratégico na resiliência e na continuidade dos negócios. As empresas precisam:

  • Educar suas Lideranças: Promover a compreensão dos riscos cibernéticos e da importância do seguro cibernético em todos os níveis da gestão.
  • Avaliar seus Riscos: Realizar avaliações de risco cibernético para entender suas vulnerabilidades específicas e determinar o nível de cobertura de seguro necessário.
  • Consultar Especialistas: Trabalhar com corretores de seguros especializados em riscos cibernéticos para encontrar apólices que atendam às suas necessidades.
  • Integrar Segurança e Seguro: Combinar investimentos em cibersegurança com a contratação de seguros cibernéticos para uma proteção completa.
  • Revisar Contratos: Garantir que as obrigações contratuais relacionadas à segurança cibernética sejam cumpridas e que o seguro adequado esteja em vigor.

Em um cenário onde as ameaças virtuais se tornam cada vez mais sofisticadas e frequentes, a omissão na proteção contra esses riscos pode ser o calcanhar de Aquiles do setor de construção civil. A decisão de investir em seguro cibernético hoje pode determinar a capacidade de uma empresa de sobreviver e prosperar amanhã.

Diante da crescente digitalização e do aumento das ameaças cibernéticas, qual o próximo passo lógico para os líderes do setor de construção civil brasileiro em relação à segurança de seus ativos digitais e financeiros?

Perguntas frequentes

Quais são os principais riscos cibernéticos para o setor de construção?

Os principais riscos incluem perda de dados críticos (projetos, clientes, finanças), interrupção das operações, custos elevados de recuperação, danos à reputação e responsabilidade legal devido a vazamentos de dados.

Por que as construtoras resistem em contratar seguro cibernético?

A resistência se deve à falta de conscientização sobre os riscos, percepção de custo elevado, crença excessiva na segurança interna e foco maior em riscos tradicionais do setor.

Como o seguro cibernético pode beneficiar empresas de construção?

O seguro cibernético oferece proteção financeira contra perdas inesperadas, ajuda a manter a continuidade dos negócios, pode facilitar o acesso a crédito e investimentos e protege a reputação da empresa.

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